sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Do Grão ao Copo - Ingredientes - Malte


Após algum tempo já com este site, resolvi largar a preguiça de lado e começar esmiuçar mais tecnicamente sobre o processo da produção da cerveja artesanal, explicando pra você caro amigo/amiga Charles Brenson, um pouco mais sobre o  básico teórico sobre o Homebrew. Para isto farei posts frequentes com tópicos relacionados ao assunto! Caso você tenha alguma dúvida em especial, é só deixar um comentário ali em baixo que ele será muito bem respondido! 

Hoje falarei um pouco sobre o grão principal para a extração de açúcares para se produzir a cerveja, o grão da cevada, que quando germinada se chama MALTE. 

Cevada

Mas afinal, qual a diferença entre cevada e malte? 

Para responder a esta pergunta, primeiro falarei sobre a cevada em si (Hordeum vulgare), que é uma gramínea produtora de cereais, prima do trigo, arroz, milho, centeio e aveia. A cevada é cultivada principalmente no hemisfério norte, entre latitudes de 45° e 55°. Ela gosta de um clima temperado para frio, solo rico, bem drenado e terreno relativamente plano. Produz flores dispostas em espigas que se situam na extremidade do colmo (caule), e se transformam em sementes amareladas e ovóides.  
Existem três tipos principais de cevada, que se distinguem pelo número de sementes na ponta do caule. Estas sementes crescem em duas, quatro ou seis fileiras ao longo do caule central. A cevada com duas fileiras produz grãos maiores, com maior quantidade de amido em relação a casca, enquanto o de seis fileiras possui maior concentração de enzimas que convertem este amido em açúcares fermentáveis. 

[cevada3.JPG]
Cevada de duas / seis fileiras

Os grãos de cevada são muito resistentes quando puros, e só perdem seus açúcares quando começam a germinar. 

Certo certo... Mas e quando é que isto se transforma em cerveja???

Calma meu caro leitor! Agora que você já sabe o que é o grão de cevada, você deve entender como retirar os açúcares dele, pois é em cima deste açúcar que ocorrerá o processo mágico de fermentação e produção de gás e álcool, que te deixa alegre e contente de quando em vez.

Como eu já falei, os grãos de cevada são extremamente resistentes ao meio, difíceis de serem moídos em sua forma pura e sem possibilidade de se extrair os açúcares pois está em forma de amido que não se dissolve prontamente em água. Esta característica é por um lado boa, pois se permite o transporte facilmente das regiões produtoras para as diversas regiões do mundo sem que se perca as suas qualidades. Se você quiser construir uma cervejaria na Antártida, é só importar os ingredientes e fazer cerveja onde quer que você esteja, diferentemente do vinho por exemplo, pois a uva possui uma casca fina e perde as sua qualidade facilmente (por isso as vinícolas ficam perto dos vinhedos!).

Maltagem 


Para liberar o amido dos grãos, é necessário realizar o processo de maltagem. Este processo consiste em umidecer os grãos com água por alguns dias e fornecer calor ameno para iniciar o processo de germinação, imitando o crescimento de uma semente no solo. Quando ela germina, as moléculas complexas de amido, proteína e celulose dentro da casca começam a se quebrar em unidades químicas menores. 

Encontrei no youtube vários vídeos interessantes mostrando uma maltagem tradicional no chão de pedra, de uma fábrica de whisky no Reino Unido. Lembre-se que o Whisky também é feito de grãos de cevada, porém sofre um processo de destilação (do qual eu pouco sei). 




Após a germinação estar em seu ponto ideal, ela é cessada através do aquecimento do malte verde no forno. Primeiramente ele é seco e depois torrado em temperaturas mais altas, para interromper todas as modificações dentro do grão. Aqui entra um detalhe muito importante na maltagem, que garante a característica da COR da cerveja. 

Quanto mais intensa a torrefação, mais forte será a cor do malte e maior a chance de seus açúcares caramelizarem. Se for levemente torrado, terá a cor clara característica de cervejas Pilsners, com sabores macios. Se torrado mais intensamente, ficará mais escuro, com sabores mais adocicados. Maltes extremamente torrados, presentes em cervejas Porters e Stouts, conferem uma cor negra e aromas e sabores de chocolate/café, característicos destes estilos de cerveja. 

Devido a variedade existentes de maltes, as receitas são inúmeras, e criaram-se escalas para se graduar a cor da cerveja. Existem duas escalas, a escala da EBC na Europa (European Brewer´s Convention) e nos EUA a SRM (Standard Research Method). 



Para você ter idéia na quantidade de tipos de malte, visite os sites abaixo!



Processo Final

Após todo este processo, o malte está pronto para ser utilizado. Bom, na verdade quase pronto! Antes de iniciar a produção de cerveja, caso você já tenha lido meus posts anteriores, deve ter percebido que este malte é antes moído, para que se exponha os açúcares ao quebrar a casca, para que a água quente ative novamente as enzimas ali presentes e libere os açúcares preciosos. A partir deste ponto, extraímos um líquido adocicado, chamado MOSTO. 

É importante não triturar o grão, e somente moe-lo a ponto de quebrar a casca e expor o endosperma.

Isto se deve pois a casca ajuda no processo de filtragem natural do mosto, principalmente na produção artesanal de cerveja, já que não disponho de filtros industriais que fariam esta atividade. As cascas se assentam em um fundo falso ou bazooka screen, e com a passagem diversas vezes deste mosto, ele é clarificado e as partículas ficam somente no recipiente de brassagem. 

A moagem do malte pode ser feita com um moedor simples de cereais ou com um moínho com sistema de rolos, que seria o mais ideal. Para nossas produções de 50 litros, o moínho de cereais tem funcionado perfeitamente, pois ele tem um ajuste para a moagem, permitindo que somente se quebre a casca. 

Moinho de cereais comum
Moinho de 3 rolos. 
Apenas para completar este assunto, segue abaixo uma tabela das temperaturas que agem cada uma das enzimas presentes no malte, e a partir desta tabela podemos variar se queremos uma cerveja mais ou menos alcoólica, com maior ou menor retenção de espuma entre outros. 

Mash temperatures
http://www.howtobrew.com/section3/chapter14-1.html
Só relembrando que as enzimas mais importantes são a Beta e Alfa amilase. A Beta produz maltose e a Alfa produz acúcares diversos não fermentáveis, além da maltose. Caso você queira uma cerveja mais ALCOÓLICA, deverá brassar a temperaturas entre 62°C e 65°C, ativando a Beta amilase e extraindo bastante maltose (fermentável). Caso queira uma cerveja mais ENCORPADA, procure temperaturas mais altas, entre 68°C e 72°C, retirando além da maltose acúcares não fermentaveis que dão corpo a cerveja.

Vale ressaltar que atualmente, devido a grande tecnologia envolvida na produção dos maltes, pode-se também simplificar o processo inteiro, como na imagem acima (MASH TARGET), fazedo a brassagem em uma única temperatura, a cerca de 65°C, extraindo-se a maior quantidade de açúcares possíveis para a fabricação da cerveja. 

Bom, por hoje é isto! Agradeço caso tenha tido paciência de ler até aqui, e em breve falarei um pouco mais sobre o lúpulo!

Fontes consultadas:

Guia Ilustrado Zahar - Cerveja - editado por Michael Jackson
Larousse da Cerveja - Ronaldo Morado
How to Brew - John Palmer - http://www.howtobrew.com/
e obviamente, o Wikipédia! =)

Um abraço, 

Bruno (Brenson)

Charles Brenson Bier. 

domingo, 25 de julho de 2010

Charles Brenson´s Irish Red Ale - 10a Leva



Boa tarde caros amigos e amigas! Nesta sexta feira dia 23/07/2010 produzimos a décima leva de Charles Brenson Bier, uma Irish Red Ale! Novidades? Desta vez entramos com double drink!!! Ao invés de 20 litros, dobrei a produção para 40, podendo produzir até 50 litros de cerveja!!! 

Para esta leva usei novos equipamentos, entre eles o bazooka screen feito pelo Guto e a mim presenteado! Ele funcionou direitinho, clarificou bem a cerveja e obtive um bom rendimento com este sistema! Valeu Guto!
Fiquei contente também com meus amigos, que vieram ajudar nesta leva de cerveja artesanal. Um abraço ao Felipones, Lucas e Baiano!

Bom, vou falar um pouco agora sobre esta produção e suas novidades! De começo, adaptamos uma furadeira ao moinho de cereais, pois moer 12 kg de malte no muque seria de matar o peão, iria demorar mais de uma hora! Antes, para 5 a 5,5 kg de malte que era o que eu usualmente usava, demorava cerca de 40 minutos pra fazer toda a moagem!

Esta técnica apesar de parecer funcional e simples, acabou revelando alguns probleminhas. A furadeira que usamos quase não aguentou o tranco, começou a aquecer demais e a sair fumaça dela, o que tornou necessário pegar outra furadeira! Além disso, o gancho para encaixe no sistema do moedor quebrou duas vezes! Estamos pensando em adaptar um motor mais adequado para realizar este serviço!

Moinho com gancho adaptado a furadeira
Moagem do malte

Veja abaixo o breve vídeo que fizemos desta moagem!


Panela de Brassagem

Após moído, todo este malte foi adicionado a nossa panela de brassagem, com 30 litros de água a 55°C. Usamos uma panela de alumínio de 50 litros de capacidade e acoplamos um bazooka screen, ou seja, um sistema de filtragem que consiste em uma tela de inox em forma de cano, desta forma a casca do malte ao circular fica "presa" e forma uma espécie de filtro natural que acaba clarificando o mosto. 

Pode-se também usar como filtro um sistema de fundo falso que consiste em uma placa circular com vários furos pequenos que se encaixa no fundo da panela. 

Veja abaixo as fotos da panela de brassagem, e do bazooka!!

Bazooka screen! 
(produzido pelo cervejeiro Gustavo Fezer)!

Receita

Vamos agora pra receita que fizemos! Escolhi repetir uma Irish Red Ale (IRA), pois gostei muito deste estilo de cerveja, e da leva que fiz desse estilo. Repeti a receita com o dobro dos ingredientes, que foram os seguites:

10kg malte Pilsner, 
2kg malte Caramunich
0,5kg malte Caraaroma
30g lúpulo Magnum (amargor, 60´ fervura)
50g lúpulo Fuggles (aroma, 10´ fervura)
50g lúpulo Fuggles (aroma, 3´ fervura)
2 pacotes de fermento S-04

Enchemos a panela de 28 litros com malte moído!

Brassagem, Sparge e Fervura

A brassagem foi realizada com 30 lítros de água primária. Esta foi aquecida previamente a 55°C e então adicionamos os maltes para iniciar o processo. Fizemos uma escada de temperatura conforme o beersmith mostrou para se ter um médio corpo para a cerveja, ou seja 20´ de parada protéica (50°C), 40 minutos a 67°C, 30 minutos a 70°C e mash out a 76°C durante 10 mintuos!  

Abaixo algumas fotos da brassagem! 

Adicionando os maltes
Lucas ajudando na produção!
Brenson, Galdino, Baiano, Felipão!

Após a brassagem, iniciamos a recirculação e o sparge com água a 78°C. A recirculação consiste em retirar o mosto pela válvula extratora fazendo com que as cascas dos grãos do malte se assentem sobre o bazooca screen, formando um filtro natural que acaba deixando a cerveja mais límpida. Basta recircular cerca de 5 a 6 vezes com uma jarra plástica de 2 litros para se obter um mosto visivelmente mais límpo. 

O sparge é uma técnica para se "lavar" os grãos do malte, após o final da brassagem, retirando a maior quantidade possível de açucares para serem levados a fervura. O que acontece é que depois de abrir a válvula extratora, o mosto inicial sai, porém muitos açúcares permanecem na panela com grãos, que devem ser levados também para se obter maior rendimento e quantidade de mosto! 

Basicamente deve-se jogar cuidadosamente água por cima dos grãos, que se assentam no fundo da panela e como já falei sobre o bazooka ou fundo falso. Para isso usei uma escumadeira para jogar a agua com cuidado por cima, evitando bagunçar os grãos. Usamos mais 28 litros de água secundária para o sparging.

Recirculação do Mosto.
Passagem para a panela de fervura. 

A fervura foi realizada durante 70 minutos! Quando o mosto está prestes a ferver, uma espuma de proteínas bóia, e eu normalmente retiro esta camada, pois este excesso pode liberar taninos na cerveja deixando um gosto ruim! Mas existem muitos cervejeiros que não se preocupam com esta etapa, e dizem que na verdade em nada interfere. Por via das dúvidas, eu retiro o que ajuda a evitar também um boil-over. 

Master Charles posando pra foto! Veja a espuma de proteínas!

Durante a fervura, foram adicionados os lúpulos de amargor (magnum) e de aroma (Fuggles), em quantidades que vão dar um IBU (International Bittering Unit) de 25,5. O estilo desta cerveja demanda um IBU entre 17 e 28. Sempre lembre que faltando 10 minutos para o final do processo, o chiller de imersão deve ser adicionado ao mosto para esterelização, bem como o termômetro (caso o seu não esteja acoplado a panela).

Terminada a fervura, o fogo foi desligado e  passamos agua pelo chiller. Desta vez utilizei um chiller acessório para resfriamento prévio da água, chiller este aproveitado da chopeira do último post. Infelizmente não consegui aproveitar este chiller para resfriar o chopp, mas porém dá para resfriar água antes do chiller de imersão! 

Como o volume foi o dobro desta vez, e usei o mesmo chiller, tive um pequeno problema no resfriamento, pois não utilizei o contra-fluxo (agua fria indo de cima para baixo), que resfriaria o mosto primeiramente acima, e misturaria conforme a convecção dos líquidos. O que ocorreu foi que o mosto resfriou bem (10°C) na parte inferior do caldeirão e ficou quente em cima (40°C), mas no final ao passar para o fermentador a temperatura final foi de 30°C e foi possível adicionar o fermento!

Usei o S-04 da fermentis, um fermento conhecido por suas Ales Inglesas e por sua rápida fermentação e sedimentação. Seria perfeito utilizar o fermento da White Labs WLP - 004, um fermento de ale irlandesa, porém não tinha pensado nisso quando comprei o fermento, e creio que seja difícil encontrar fermentos da White labs por aqui! 

Safale S-04 / White Labs WLP - 004

Com 12 horas de atividade, o airlock já estava borbulhando! Veja como estava a fermentação após 1 dia de produção:


Como você pode ver no vídeo, usamos uma bombona para a fermentação desta vez. Esta é uma bombona com capacidade de 78 litros e era utilizada para transporte de azeitonas! Se for utilizar plástico, sempre use plástico alimentício e verifique se não foi usado para produtos químicos como solventes. Adaptei um prensa cabos na tampa da bombona, que encaixa perfeitamente o meu airlock! 

Bombona / sifonamento. Usei o grain bag como filtro! 
Tudo sanitizado, obviamente...

Ah, já ia quase esquecendo! Consegui uma gravidade original (OG-original gravity) de 1.055, o que foi muito bom ao meu ponto de vista. Vamos ver quanto o fermento vai atenuar para calcular o teor alcoólico. 

Medida da densidade com densímetro de massa. (1.055)

Bom, por enquanto é isso! Caso tenham dúvidas é só deixar uma pergunta aí em baixo! Espero que tenham aproveitado o post! Em breve mais novidades por aqui!

Um grande abraco

Bruno! 



domingo, 4 de julho de 2010

Projeto Chopeira!

Olá! Nesta breve semana de férias que tive, acabei viajando para o norte do Paraná visitar meu avô, tios e tias e primos e primas! Nessa empreitada passamos por Londrina e conversa vai, conversa vem sobre cerveja artesanal, acabei descobrindo que meu tio Val tinha uma chopeira a gelo antiga que estava abandonada, há 23 anos no sótão da casa dos pais dele. Fui lá e encontrei esta relíquia, e resolvi tentar aproveitá-lo ao invés de deixar colocarem no lixo.

Já em Jandaia do Sul, meu tio César trabalha com Arte Visual e tem uma bela oficina, onde foi possível reformar o exterior da chopeira. Foi realizada uma nova pintura e caracterização da chopeira com adesivos da logo Charles Brenson, que ficou muito bacana! Veja como ficou:


O problema porém foi em relação a serpentina. Depois de duas décadas abandonada, ela sofreu corrosões e quanto tentava limpar a serpentina com água para desobstruir, alguns pontos estavam corroídos e a serpentina teve vazamentos. Creio que para utilizar esta chopeira vou ter que descolar uma serpentininha de inox, talvez encontre em algum ferro velho, pois infelizmente este material é caríssimo!

Bom, se alguém tiver alguma idéia é só mandar um comentário aí!

Um abraço a todos

Bruno



ATUALIZAÇÃO 07/07/2010


Olá caros amigos! Infelizmente não consegui reaproveitar a serpentina. Ao tentar limpa-la, de diversas maneiras possíveis e imagináveis para o alumínio, percebi o real estado da serpentina que veio junto da chopeira. Ela estava muito desgastada a ponto de furar em diversos pontos, parecendo uma peneira quase!

Infelizmente não vou conseguir aproveitar esta serpentina para resfriar a cerveja. Porém ela me será útil em outro processo! Pré resfriamento de água antes de ir ao chiller de imersão. Com esta serpentina eu poderei fazer circular água a 0°C pela serpentina, tornando muito mais rápido e efetivo o processo de resfriamento do mosto, auxiliando na decantação do trub "alienígena" que sempre nos persegue!!

Mas não desistirei desta chopeira, pois como já falei ela é uma RELÍQUIA! Graças ao tio Val, ela foi gentilmente "emprestada" há uns 30 anos atrás e eu ainda reformarei ela. Um dia investirei em uma serpentina de inox e em uma torneira italiana, ai vai ficar show de bola! Uma baita chopeira para grandes festas!

Até lá esta caixa me servirá como um bauzinho, para armazenar maltes, equipamentos e outras coisas!
Penso em comprar uma chopeira pequena da artchopp, uma chopeirinha simpática que tem entrada para barris, e não é tão cara assim. Creio que com uns 250 reais compro uma!



Até lá o chopp Charles Brenson vai ser resfriado igual os barris de Heineken. Diretão na geladeira!
Master Charles, segura que lá vem conta de luz!!!! Hahahaha
Um abraço,
Bruno

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Charles Brenson´s Ale - 9a Leva





Olá! Mais uma leva de Charles Brenson foi produzida, uma tradicional Ale, e mais uma leva que logo se acabará. Chegamos a óbvia conclusão que 20 litros por produção não são mais suficientes, pois quando a leva está ficando boa, já foi praticamente completamente consumida! Por este motivo, estou investindo em mais umas panelas cervejeiras, e melhorando a minha técnica de produção para passar a produzir o dobro da capacidade de hoje, ou seja 40 litros por vez!!!

Neste post falarei um pouco sobre os equipamentos que estou adquirindo e o modo que produzirei minhas cervejas a partir daqui. O grain bag, que muito me auxiliou ficará para o passado. É uma ótima e simples técnica que deu certo muitas vezes, mas como o conhecimento vai aumentando e as técnicas vão começando a aparecer, resolvi sofisticar meu equipamento para aumentar a produção com maior controle da qualidade.

Para os que estão começando, recomendo muito a técnica do grain bag com voal, se tiver interesse é só ler os meus posts mais antigos que foram levas feitas desta maneira. É para mim o método mais simples e barato de se produzir cerveja, onde com apenas uma panela cervejeira e um voal costurado em forma de sacola pode-se fazer a brassagem e a fervura na mesma panela sem necessidade de filtragem e recirculação.

Sobre esta nona leva, a última em equipamento de 20 litros, fiz a brassagem exatamente do mesmo modo da ultima leva. Os ingredientes foram:

- 4kg de malte pilsner
- 1kg de malte munich, 
-  lúpulos magnum (15g) e amarillo (15g)
- fermento Nottingham 

Esta receita foi para mim a base para aprender o processo cervejeiro, e por isso a repeti por várias vezes, para aprender e aprimorar minhas produções, tentando obter uma cerveja pale ale semelhante todas as vezes. Resolvi utilizar o fermento Nottingham mais uma vez, por insistência pois a melhor leva até hoje foi feita com ele. O problema porém é que quase perdi uma leva com este mesmo fermento e esta vez a fermentação demorou pra iniciar, mas ocorreu tudo bem (até agora).  

Brassagem.

Fiz a brassagem da seguinte maneira: 15 minutos a 50°C para proteínas (espuma), depois resolvi brassar direto por 60 minutos a 65°C, com "mash out" a 76°C por 10 minutos. Só lembrando, as enzimas presentes no malte possuem diferentes temperaturas para sua ação, ou seja a 50°C a protease atua sobre as proteínas e a temperaturas mais altas entre 63 e 67°C as amilases (alfa e beta) entram em ação fazendo a sacarificação dos acúcares, que ficam prontos para serem fermentados. A 76°C estas enzimas são inativadas, o que chamamos de "mash out". 

Após a brassagem, fiz a filtragem do mosto e a recirculação com meu cooler "igloo" novamente, sei que não é o processo ideal pois o plástico libera substâncias "do mal", porém esta foi a segunda e última vez que realizei desta maneira. Abaixo fotos do improviso que realizamos aqui em casa, para fazer a filtragem e recirculação do mosto. 

Escada improvisada: agua aquecida para sparge / cooler filtro.

Detalhe do fundo falso improvisado + grain bag.

Filtragem pós recirculação do mosto, que ficou mais límpido.


Sparge ou lavagem do malte com agua aquecida
para se aproveitar ao máximo os açúcares obtidos.  

Após feita a filtragem toda, o mosto foi para a fervura, já no caldeirão novo de 65 litros!!!

Fervuris!

Fogo intenso!

Foram 70 minutos de fervura, onde adicionamos lúpulos de amargor, aroma e o whirfloc, uma pastilha que auxilia na decantação das impurezas para formar o TRUB. Sifonamos para o fermentador, aeramos medievalmente agitando o mosto e inoculamos o fermento seco diretamente ao mosto. 

Nos primeiros dias após a produção, situação tensa! O fermento demorou para iniciar a atividade, e o airlock só comecou a borbulhar dois dias depois, com um krausen (fermento em cima do mosto) meio tímido, mas lá pelo quarto dia de fermentação estava a mil por hora. 


Formação do krausen e fermentação ativa!!

Deixamos a fermentação primária por 6 dias e resolvemos passar todo este mosto para um galão para fermentação secundária, para separar todas as impurezas já decantadas e deixar o processo de fermentação agir por mais alguns dias. A cerveja tornou-se muito mais límpida e aproveitamos para medir a densidade da amostra que estava em 1.014, um poco acima do esperado. A nossa densidade inicial (OG)  foi de 1.046. Após a fermentação secundária, a FG foi de 1.009, o que eu realmente esperava. 

Transferencia para fermentador secundário.
No final a leva ficará com 18 a 19 litros. 

Estamos agora no aguardo para embarrilar esta cerveja e carbonatar em nosso cornelius keg, uma das melhores aquisições feitas para a cerveja Charles Brenson. O sistema post mix deixa tudo mais fácil, não precisa lavar milhares de garrafas, somente uma vez o barril e está tudo ok! A última leva, uma Irish Red Ale, que por sinal ficou extremamente boa, foi embarrilada e todos gostaram de tomar uma Charles Brenson direto do barril!

Charles Brenson´s Irish Red - Direto do Cornelius Keg!

Para quem leu o último post, da Irish Red, diria que foi uma das melhores levas até hoje produzidas, com uma cerveja que ficou excelente. A coloração ficou perfeita, fizemos uma degustação da Murphy´s Irish Red e elas estavam idênticas! Porém a Charles Brenson ganhou no quesito corpo e amargor, e de preferencia dos meus amigos o placar ficou 6 a 1 para a Charles Brenson!!!

Provando que 20 minutos de "protein stop" 
realmente realça a qualidade da espuma!!
Charles Brenson Irish Red 
Coloração avermelhada! 

Bom, por enquanto é só! Em breve mais levas serão postadas neste blog!
Para quem tem interesse em aprender o homebrewing, é só conversar comigo! Envie uma mensagem aqui no blog, que eu ensino com a maior vontade quem tiver interesse!!

Um grande abraço a todos

Bruno


ATUALIZAÇÃO 11/07/2010


Espanha campeã!!!

Após um churrasquito aqui em casa para ver o final da copa do mundo com meus amigos, esta leva de Charles Brenson Bier foi embora! O barril roncou, 20 litrinhos consumidos! Precisamos de um backup de heineken hoje! hehehehe

Achei que esta leva tinha ficado com problemas, pois quando resolvi experimentar a mesma, tirei um copo de chopp e estava extremamente amargo, adstringente, e pensei que fosse devido a off flavors, taninos por culpa da fermentação. Não realizei que o lúpulo tinha decantado e aquele copo que experimentamos estava com toda a "sujeira" decantada no fundo do keg..

Felizmente os resto da leva estava em perfeita qualidade, e caiu muito bem com a final da copa do mundo!

Agora precisamos produzir mais uma leva, pois estamos sem Charles Brenson no estoque. A próxima leva será de 40 litros! Aí sim vai dar pra fazer um belo churrasquinho!

Um abraco a todos

Bruno